segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fantasmas do agora, Fantasmas do passado

Algumas pessoas buscam viver sem aflições, sem problemas. Sem nada que lhes atrapalhe, lhes tire do caminho. E algumas pessoas parecem realmente conseguir viver assim.

As vezes parece que a vida não deu certo, para nenhum de nós. Continuamos acordando todas as manhãs, pensando no café que talvez nem vamos tomar; E tendo certeza do dia que vamos ter que bebericar. E no fundo, no eco de cada dia, algo ressoa dizendo não...não! Que não deu certo...

Ninguém tem certeza da certeza.
o que é certo, o que não é?
Seguimos sentindo que tudo muda, segundo após segundo.
Que o tempo nos engole, nos digere, nos vomita e passa a nos lamber novamente.
Sem parar. Sem nunca parar.
seguimos...

As vezes parece que deixamos algo para trás. O que devia ter sido feito e o que não devia. O que devia ter sido esquecido e o que não foi.
Porque haverá a falta e a saudade, o arrependimento, a culpa, a injuria, a cólera.
E o passado parece algo tão mal aproveitado. O futuro parece algo tão limpo.
Quando o agora já é passado, pois no momento em que nos pomos a pensar nele,
sua transformação se concretiza. É passado.

Será que não há caminho para sessar os pensamentos no presente e viver no futuro?
O presente parece não existir e nos enganamos plenamente - o tempo todo! - com ele.
As vezes... parece que a vida não deu certo.
Ninguém tem certeza da certeza.
o que é certo, o que não é?

Porque, algumas pessoas, as vezes, parecem realmente viver sem nenhuma aflição.
Vivem invisíveis, sem motivos para correr atrás. Sem dores para se curar.

Outras pessoas desejam a tristeza, a melancolia, a depressão. Vivem a busca pelo eterno sangramento em dor. Tiram das aflições suas maiores inspirações.
Concretizam que somente da dor a arte vem.


Esse dom de viver com aflições faz com que nós, nós, sejamos fantasmas.
Fantasmas vivos, atrás da cura para desejos e vontades não atendidos.
Assim até o fim da vida.
Assim a cada segundo.
Assim a cada pedacinho do tempo, aquele tempo, que nos engole, nos digere, nos vomita e passa a nos lamber novamente.
Sem parar. Sem nunca parar.
Agora.
No agora que passado é.

Um comentário:

fê disse...

Achar que a certeza ou que sua ausência não servem como juízo de valor não deve ser um buraco de imprecisão. Pelo contrário. É preciso que não há modo ou verdade, isso, sim!, é preciso.
O presente nunca deixa para trás, mas o presente travestido de futuro que sim. A lógica que talvez, conforme minhas "crenças". seja coerente com essa necessidade de preencher um vazio, é saber o que se faz e há de fazer agora. Pensar o passado é sentir-se impossibilidade. O futuro é só utopia. Pensar agora é ser senhor, é projetar possibilidades de mudança.