domingo, 17 de agosto de 2008
Juizo Final
Se o homem soubesse amar não elevaria a voz nunca, jamais discutiria, jamais faria sofrer.
Mas ele ainda não aprendeu nada.
Dir-se-ia que cada amor é o primeiro e que os amorosos dos nossos dias são tão ingênuos, inexperientes, ineptos, como Adão e Eva.
Ninguém, absolutamente, sabe amar.
D. Juan havia de ser tão cândido como um namoradinho de subúrbio.
Amigos, o amor é um eterno recomeçar.
Cada novo amor é como se fosse o primeiro e o último.
E é por isso que o homem há de sofrer sempre até o fim do mundo - porque sempre há de amar errado.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
O Melhor Que Posso Fazer
Apenas deve deixar a expressão vir como for,
do jeito que deve ser.
E mesmo que o problema surja,
as desculpas mostrarão o arrependimento,
a vontade de concertar.
E quero que toda vez olhe para onde olho
(que seja você o que olho e então olhe para mim),
e veja que quero. E diga que quer.
Querer se jogar em tal abismo,
Deixar se enganar...
Nunca será tão fundo para que não se possa voltar.
Para Sonhar

Era estranho. O ar, o som. As pessoas tem uma mentalidade tão privada que o silêncio é ainda maior que o esperado. Uma educação que faz com que você se sinta mal até do que ainda não pensou em fazer de errado. Um jeito de se portar. Um jeito de se vestir. Um jeito de falar. Isso me faz lembrar as ruas. Grandes e largas, com arvores, enormes e velhas, folhas verdes da nova estação. Aquele sol tentando aquecer, aquele vento gélido esfriando e descabelando. Pessoas à vontade aos seus afazeres, passando pela mesma rua de sempre no seu dia-a-dia. Lojinhas com pequenas coisas que atraem os olhos como se eu voltasse a ser criança. Cartazes piscando, anúncios chamando. Teatros, musicais, comidas, descontos. Prédios, placas, carros. Táxis, ônibus. Janelas grandes, portas coloridas.Eentradas de pequenos prédios perfeitamente arrumados. Flores e jardins mais vivos que nunca. Praças com suas fontes eternamente a jorrar enquanto crianças e velhos se divertem. uns levam o cachorro, outros sentam no banco para tomar um café e ler os jornais. "Não se preocupe que nada faltará. Não vá embora! Por favor, fique para sempre! Fique! Fique!" Era como se me chamasse! Se eu estivesse sozinha, totalmente, assim seria. Apenas vendo, sem saber se estava vivendo. E seria por muito tempo. Pois falar com aquele povo parecia inviável. Fora da capacidade do que eu entendia por ser humano! E pode parecer um papo de outro mundo, mas foi o que eu senti por lá. Uma solidão, um isolamento. Parecia que não se preencheria nunca. Acho que nem vai. Ou eu que não me encaixei. Não me deixei encaixar... Não me entreguei à tentação... Calorosos foram os dias com amigos novos que se era possível fazer, vindos como eu, de outros lugares distantes. Mas e quanto aquele frio em saber que talvez nunca iremos nos ver novamente? No fundo pode ter sido tudo como sonho. Brilhante e iluminado, bonito e tão real. Por um momento. Tudo tão perfeito e colorido, tão perfeito e alegre, tão perfeito e calmo! Nada para dar errado! E no fundo, aquilo que você queria ter por perto ao acordar, se foi junto com o vento gelado... Foi uma janela que deixei aberta para sonhar...
sexta-feira, 4 de julho de 2008
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Que Seja Assim
ver se, talvez, com seu pente fino, eu resolvia as angústias abafadas.
Lembro bem do olhar dela, refletindo luz elétrica das 19h quase escuras.
"Escreva o que estiver sentindo, ajuda...", "Veja também o que os outros estão sentindo... Se ponha no lugar deles!", "Quem sabe os outros não estão certos? Quem sabe não é você que fica fazendo confusões nesta mente ai?"...
Muita informação, muitas coisas a pensar. Fui seguir meu caminho. Fui pensar. Olhar para meus tênis um pouco ao invés de depender de outros tênis para seguir meu caminho.
Ao menos tenho que tentar!
Seguirei por essas calçadas de pedras grandes, quadradas, mosaicos... Serão apenas meus pensamentos ecoando no mundo. Ecoando nestas pedras. E guardarei sentimento. Explodirei mais tarde. Ou não.
E eu já vinha sentindo aquela onda de algo não estava bem, não estava como eu queria que fosse um dia. E eu ia ficar sonhando como sempre fiz! Parece que não cresço, que não mudo nunca!
Ingênua,
Boba,
Insegura,
Pensativa,
Atenta,
Ansiosa,
Impulsiva,
Apaixonada.
Não vou me arrepender. E não vou entregar minha alma ao frio
pois não sinto que é assim!Não precisa ser ruim!
Quem diz que o frio é ruim?
E a chuva? eu gosto de me molhar...
Gosto de me sentir feliz! Apenas isso!
E posso ser assim não importando as circunstâncias!
Continuarei a pensar em você, ainda por um tempo.
Mas virão muitas coisas para me distrair.
Temo apenas os momentos antes de dormir...
Em que as brasas desta história voltam a fervilhar, atiçadas pela minha própria confusão.
Mas que seja assim!
Pois eu acho bonito que seja assim!
Sinto uma poesia de viver...
E isso pode parecer confuso.
Mas é o que está aqui na minha mente.
Acho até que devia dar um outro nome para minha mente.
Essa poesia que fica a tinir aqui dentro!
Minha poesia de viver está em pensar em você, nele, nela.
Minha poesia de viver está em ver e sentir, não ver e imaginar.
Poesia em viver!
Crio a beleza para meu caminho, crio essa poesia para mim.
A vida será melhor assim!
(P.I.R)
terça-feira, 24 de junho de 2008
Nó
Sinto aquele nó dentro de mim. Querendo falar, mas não conseguindo, não podendo!
Às vezes penso em como seria mais fácil simplesmente dizer tudo, sem arcar com as conseqüências, apenas vendo os resultados.
Às vezes penso como seria difícil entregar o jogo. Alem do mais, assim é que se cria o mistério para tudo. Assim que se cria a dúvida, a curiosidade. Assim é que se dá um pouco de graça as coisas.
Temos nossa mente fechada. E a dos outros também. Pode parecer perturbador. Pode parecer fantástico. É meu de mais ninguém.
É seu de mais ninguém.
O que passa aqui dentro pode se tornar silencio eterno, mesmo forçando as barreiras do corpo com a mente para ser assim. Mas pode ser silencio por não saber como dizer, para quem dizer. E uma vez dito, deixa de ser pensamento, deixa de ser segredo. Pode deixar de ser verdade, pode deixar de ser real.
Aos poucos tudo se acerta.
Pode demorar, mantendo o nó à apertar e incomodar.
Pode sair em vômito ácido de agonia e sal que arde,
encarnando tudo aquilo que se acumulou, desidratando a alma. Que venham lágrimas, gritos, raiva.
E não irão me entender! Demorará a passar. Eu sei que vou senti a corda deste nó quase partir, me partindo junto.
E depois lentamente tudo soltará. Minha mente vai se acalmar.
Se preparar para se perder novamente em águas turvas do futuro.
Essa irritante provocação que está ao me redor. Meu subconsciente me levando a tomar atitudes. As vazes não sei se sou eu. Não consigo lembrar.
Mas talvez eu apenas finja, pois tenho medo de desatar-me deste nó.
domingo, 22 de junho de 2008
Vento Até Voltar
Olhava para o céu tentando imaginar o que realmente acontecia. Sua mente estava confusa, mas seu corpo estava estável em relação à vida. Pensava em todas as pessoas. Se lembrava até daquelas que menos faziam diferença nos dias atuais. Era mais uma questão de tentar encaixar tudo perfeitamente até chegar no ponto em que se encontrava.
Se sentia bem, na realidade. Tudo ao seu redor estava alegre!
Mas no fundo não agüentava mais pensar. Pensava não apenas nos outros, mas no que os outros pensavam. Não conseguia parar de se preocupar e de sentir-se agoniada com o imaginário. As falsas sensações que tinha sobre tudo e todos. Repugnava tudo. Sobrava apenas o que realmente a fazia bem.
Entrava agora em uma fase de tentar isolar tudo isso, e viver mais como o vento... Livre e solto sem se preocupar com os outros. Mostrando estar por perto mesmo sem ser visto. Fazendo falta nos quentes momentos de tensão. Do nada esfriando... Arrepiando. Levando consigo apenas o que fosse alegre e colorido.
E se preparava para se imaginar sumindo por um tempo da mente dos outros ao invés de tentar apagar suas próprias lembranças...
Até que a saudade a trouxesse até lá novamente!
