segunda-feira, 1 de março de 2010

Cidade de Chuva



Oh! Cidade de Chuva!
Labirinto de decepções!
Se saudade só existe aqui,
Doem ainda mais os corações.

Os sons invisíveis.
O riso.
O lamento.

Oh! Cidade de Chuva!
Labirinto de decepções.
Lava minh'alma,
Me escorra em sal!

No dia em que a chuva passar,
Darei ao tempo,
Um tempo, para secar...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

eu não amo





























eu não amo
e não sei amar
só não quero amar
me sinto bem assim
é ótimo
eu não amo
e não sei amar
só não quero amar
me sinto bem assim
é ótimoeu não amo
e não sei amar
só não quero amar
me sinto bem assim
é ótimoeu não amo
e não sei amar
só não quero amar
me sinto bem assim
é ótimoeu não amo
e não sei amar
só não quero amar
me sinto bem assim
é ótimoeu não amo
e não sei amar
só não quero amar
me sinto bem assim
é ótimo

No fundo

somos apenas muco e pêlos
vísceras e sangue
e dizem que dentro
bem no fundo
existe um coração
que não passa de gordura
e ainda mais sangue
músculo
e dizem sentir
sentir alí bem no fundo
quando tudo não passa de sangue
e vísceras, muco e pêlos
tudo exposto às moscas
do fim da vida
porque lá no fundo
no fundo da terra em que te puserem
não fará diferença se você sentiu ou não
no músculo, na gordura,
nas vísceras ou nos pêlos
ou se sentiu mais fundo...
a cova é a mesma.
a mentira é a mesma.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

ainda é carnaval alí



















Contas e miçangas
ainda é carnaval por aqui.
Bêbados sem destino
ginga de malandro.
A cidade se cobre no grande manto da Padroeira
e por debaixo dele excita todos os pecados.



Contas e miçangas...
ainda é carnaval por aqui...



Lança perfume
lança no vento
cheira veneno


Brisa.




Ainda é carnaval alí.

Artista de Rua






























Senhora do Casaco,
Esqueceu as chaves,
Ficou para fora

Conheceu um artista de rua.
Ele estava maquiado,
De cinza, azul,
laranja e roxo.

Lindo era o jovem.
Mas era de rua,
E não tinha chaves.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

c o n c e r t a n d o


































O meu vestido ainda estava alí, igual,
desabotoado como suas mãos o fizeram.
A cidade agora já estava vazia.
Os quartos silenciosos...
Os lençóis pousados
com suas dobras desiguais.
A preguiça que seguia,
em caminhos pelas ruas...
Os que ficaram cantam baixinho.
Dia após dia de chuva e calor.
O vácuo gigantesco,
o buraco sem medida.
No fundo do fundo.
Papéis voam pelas sargetas.
Nossos papéis foram trocados.
Os que foram sonham.
As lembranças cantaram mais alto
do que o cotidiano assimétrico
que temos para vislumbrar.
Cantaram notas de papel.
E para lá, seja aonde for,
tudo volta ao casual.
Saudade era sentimento nosso.
Agora virou meu.
Egoísmo doído e sem escolha.
Acaso impulsivo, explosivo!
Foi um entrar brusco
numa rota de dois anos.
O ardor dessa imprudência
queima minha alma.
Mas logo passa a calmaria
logo passa a cólera.
Ficaram as notas suspensas.
As notas em branco.
E os tempos errados,
que iremos aos poucos..
c o n c e r t a n d o .


sábado, 6 de fevereiro de 2010

Limiar




















Pintava minhas mãos
com arabescos
com cores
com sonhos.

Desbotava meus cabelos
em águas turvas
águas densas

águas salgadas
lágrimas...

Fácil ficar apática
luxos e êxtases
absurdos.

Limiar da dor
limiar do prazer.