
O meu vestido ainda estava alí, igual,desabotoado como suas mãos o fizeram.
A cidade agora já estava vazia.
Os quartos silenciosos...
Os lençóis pousados
com suas dobras desiguais.
A preguiça que seguia,
em caminhos pelas ruas...
Os que ficaram cantam baixinho.
Dia após dia de chuva e calor.
O vácuo gigantesco,
o buraco sem medida.
No fundo do fundo.
Papéis voam pelas sargetas.
Nossos papéis foram trocados.
Os que foram sonham.
As lembranças cantaram mais alto
do que o cotidiano assimétrico
que temos para vislumbrar.
Cantaram notas de papel.
E para lá, seja aonde for,
tudo volta ao casual.
Saudade era sentimento nosso.
Agora virou meu.
Egoísmo doído e sem escolha.
Acaso impulsivo, explosivo!
Foi um entrar brusco
numa rota de dois anos.
O ardor dessa imprudência
queima minha alma.
Mas logo passa a calmaria
logo passa a cólera.
Ficaram as notas suspensas.
As notas em branco.
E os tempos errados,
que iremos aos poucos..
c o n c e r t a n d o .