sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Moto-Contínuo















Moto-contínuo: Andar de bicicleta fumando.
A abstinência pode levar à loucura se você não está inicialmente preparado para ela.
Eu facilmente diria, em crise de abstinência, que cigarros são melhores do que sexo.
Sexo existe aos montes. Sexo ruim existe ainda mais. Cigarros suprem sempre. Sexo pode irritar.
Tudo pode ser motivo para um cigarro, mesmo que para muitos seja diferente: sexo é um motivo em tudo.
Sexo pode ser casual. Cigarros sempre vem ao caso.
Sexo até mesmo casual exige um cigarro depois. Cigarros exigem apenas fogo.
Em abstinência sexual, existe o amor próprio. Em abstinência por cigarros, existe a loucura.
Então tenhamos cigarros e o sexo que não me incomode.
Porque sem cigarros sou facilmente irritável.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A questão das balas de Goma





















Toda aquela questão das balas de goma a deixava perplexa.
O açúcar havia se concentrado em seu sangue e ela sentia uma leve diabetes madrugueira.
Ou como preferia falar, sentia-se levemente atordoada.
Talvez fosse álcool e não açúcar. Talvez apenas.
Mas seus passos já não eram mais tão formais. Pelo contrário. Seu corpo se movia agora de modo a seguir um leve balançar malandro e abobalhado.
Tudo se encaixava, porém, no mesmo ritmo de todos alí. Ninguém se passava de mais besta que o outro. As visões já trocadas, as decepções soltas nas pistas, as frases inúteis, os cabelos levemente melados de coquetéis baratos e as aparências impecáveis sobre as alvas peles da falsa elite cultural.
Mera diabetes madrugueira.
E vão latas e canudos e gelos e bitucas. Beijos e baba. E os banheiros agora já são insanos e a rua se lota com fumantes proibidos do in-door-party. Fumantes roucos em busca de ainda mais cigarros.
Mesmo que aparentemente não exista mais espaço para mais balburdia, sempre encontraremos.
E as horas se seguem. E prolongam a tal diabetes.
Amanhã conhecida por ressaca.

domingo, 15 de novembro de 2009




Só preciso de um pouco mais de calma
E menos ansiedade.


Quanto ao jeito apaixonado impulsivo...
tenho que dar mais valor para ele.

terça-feira, 3 de novembro de 2009


Somos Solitários.

Nossos pensamentos tão instáveis...
Pessoas em nossas cabeças.

Somos Jovens.

Nossos impulsos tão incontroláveis...
Presos em nossas vontades.

Somos Velhos.

Nossos medos tão enrustidos
Presos em nossas incertezas.

Somos Egoístas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Hipócritas



Para quem prefere Chico Buarque à pornografia.
Para quem rejeita o mingau e bebe leite.
Virgens.

Para quem beija as flores e se corta em espinhos.
Para quem planta uma semente pura e rega discórdia.
Nefelibatas.

Para quem suga energia da terra e reza aos inexistentes.
Para quem sangra pecado e sorri ironia.
Celibatários.

Para quem prefere verde à vermelho.
Para quem rejeita vinho e bebe miséria.
Nacionalistas.

Para quem se masturba sem amor próprio
E faz sexo só por fazer.
Hipócritas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Saudade



"Bolha de sabão é que nem silêncio:
a gente pode dizer que não existe.
É uma das coisas mais bonitas do mundo:
Colorida de todas as cores do arco-íris,
toda redonda, voando livre,
leve e alto. (...)
A vida da gente pode ser uma bolha de sabão (...)
se a gente aprende a ser colorido,
a voar livre, leve e alto
até explodir bonito,
sem muito barulho,
deixando no ar uma gotinha de saudade"

Uma gotinha de saudade...
Ficou pingando e pingando dentro de mim...
Fui me enchendo e enchendo de saudade,
Me envenenando por dentro com confusão e dúvida.

Foi uma grande bolha.
Foi uma leve bolha.
E foi tão bonita!
Voou tão alto para mim...
Cheia de cor e encanto.

Uma gotinha de saudade...
Saiu de mim a cada vez que eu dei carinho à alguém...
E esse alguém não foi você para receber uma vez mais.
Para eu dizer sim uma vez mais.

Foi uma grande bolha.
Foi uma leve bolha.
E foi tão intocável!
Voou tão longe de mim...
Cheia de lamentações e vontades.

Uma gotinha de saudade...
Guardada como pingente,
bem perto do coração,
desde o momento limiar,
em que nossa bolha estourou...


terça-feira, 13 de outubro de 2009




Você é um inseto.
Percursos com cheiro de açucar.
Caminhões.
Raul à pedidos.
Eles não sentem calor ou frio,
Fome ou dor.
Ruas com cheiro de querosene.
Os grilos sentem frio.
Mendigue.
Moedas sujas. Suadas.
Tênis alvo.
As vibrações do ônibus me fazem
entrar em decomposição acelerada.
Dor na cabeça.
Dor no peito.
Calor interno.
Sufocante.
Poças d'agua gigantes como lagos.
Dias infinitos de chuva.
Chuva infinita.
Seu humor vítreo ainda me traz algum calor.
Sol.
Naftalina.
Definhamos com o frio.