quarta-feira, 18 de junho de 2008

A NAVALHA

Clique na históra para aumentar e ler!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Fantasmas

Você
Alguém que não consigo
Esquecer
Ou talvez não queira
Esquecer

È a tua silhueta
Que vejo dançar no meu copo
É teu o sorriso
Que em pensamento
Assombra-me

É o brilho
Dos teus olhos
Que vejo nas estrelas
É a tua voz que às vezes
Procuro chamando meu nome

É o teu perfume
Que sinto na gola da minha capa
É o teu nome
Que grito desesperado
Nas noites de solidão

São para você
Os poemas que faço
Usando essa folha amarela e essa pena
São para você
As musicas que compus

Queria ter forças
Para me livrar de tudo isso
Mas as lembranças
São bem mais vivas
Que qualquer coisa em mim

Queria olhar pela sacada do meu quarto
E te ver novamente
Colhendo as rosas do meu jardim
Aquelas, que agora, cuido com tanto carinho
Pois o perfume delas me lembra o teu

Tudo que queria
Era escutar teus passos
Era escutar as tabuas
Dessa velha casa
Rangendo com seu doce pisar

Tudo parece tão triste agora
As rosas que antes eram vermelhas
Agora me parecem cinza
Como se tudo tivesse perdido a graça
Perdido a beleza...

Pelas noites adentro
Sigo me embriagando
E gritando seu nome
Pedindo a Deus que você
Retorne

A brisa toca delicadamente meu rosto
Acho que é a sua respiração
Mas você não está comigo,
Lagrimas escorrem por minha face
E caio ajoelhado

A gola do casaco esconde minhas lagrimas
Sinto seu perfume
No líquido verde que está dentro da garrafa
Vejo-te dançando
Repetidas vezes grito teu nome

Ajoelhado ali, olho para os céus e vejo as estrelas
O brilho do seu olhar
Uma pétala de rosa vermelha cai a minha frente
Pego-a e nela sinto
A delicadeza do teu toque


Mas teus passos
Tua voz chamando meu nome
Eu nunca mais escutarei
São só lembranças
Que assombram minha mente

São só fantasmas...


Por Giancarlo Ferraro

terça-feira, 27 de maio de 2008

DELÍRIO

SIMPLES SEGUNDOS ENCOSTADA EM TI
E JÁ ME PERCO EM FUNDOS PENSAMENTOS,
DESEJOS, AFLIÇÕES!

E NESTES APENAS SEGUNDOS,
QUE ECOAM ETERNIDADE EM MINHA MENTE,
SOU CAPAZ DE FECHAR MEUS OLHOS,
CEDER A MINHA PROPRIA TENTAÇÃO,
DE ME DEIXAR LEVAR...

SINTO A VERDADE CAMINHAR A MINHA VOLTA,
RONDANDO MINHA AGONIA,
POR QUE NÃO A SIGO, ENFIM?

FORAM CEGOS SEGUNDOS APENAS.
O TEMPO CURTO DE IMAGINAÇÃO,
SE TORNOU A VERDADE QUE ESTOU A SEGUIR!

E ÉSTA NA MINHA MENTE,
COM SUA FORMA SEDUTORA ME AMARROU,
EM NÓS FORTES DE UMA CORDA LONGA,
(VOLTAS E VOLTAS E VOLTAS, INDO E VINDO)
NO TEU CORPO E NA TUA ALMA.

AGORA EU MESMA SOU SIMPLES IMAGINAÇÃO,
EM PURO DELIRIO ESTOU:
DE COSTAS PARA NÃO TE VER;
ENCOSTADA ETERNAMENTE A TE SENTIR...
A VERDADE A RONDAR.

Camilla Di Lucca
(p.l.f)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Jardim de Inverno




Então, mais uma vez estava eu naquele jardim, deitada ao sol ofuscante do inverno, sem nuvens no céu. De barriga para baixo, olhando para a grama, seria possível reparar nos mais incríveis detalhes do solo, onde todos pisavam. As pequeninas formigas caminhavam entre a terra, entre folhas verdes e levemente translúcidas de grama, e entre folhas secas em tons marrons e pardos. Pela grama, pequenos feixes de capim, ou ervas-daninhas, cresciam cada vez mais, querendo dominar o jardim.
Olhando novamente para o céu, com minha franja cobrindo um pouco meus olhos, eu via as árvores, grandes e majestosas sobre mim, em contraste com o céu com contornos castanho-dourados de fios de cabelo.
Estava tão quente, tão bom, tão aconchegante como se eu tivesse voltado à minha natureza de ser humano livre como realmente deveria ser! O vento passava por tudo, bem devagar, dançando com os galhos das plantas que se acariciavam produzindo rangidos e estalidos tão suaves e agradáveis...
Se eu ficasse ali, deitada, por muito tempo, acabaria virando grama ou capim, verde sempre a crescer; formiga entre as folhas secas, andando pela terra; folha das grandes árvores. Viraria parte do jardim quase para sempre, até que o vento me carregasse para algum outro
lugar...
Camilla Di Lucca
Obrigada à Vicent Van Gogh, por ter pinturas tão lindas, que se encaixam ao meu conto!
(Cima: Jardim de Inverno, rascunho de lápis sob papel)
(Baixo: ?)

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Trechos de Alice no Pais das Maravilhas...





- Quando eu uso uma palavra - disse Humpty Dumpty num tom escarninho - ela significa exatamente aquilo que eu quero que signifique ... nem mais nem menos.
- A questão - ponderou Alice – é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes.
- A questão - replicou Humpty Dumpty – é saber quem é que manda. É só isso
***

- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
- Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.
***
Alice: Aqui parecem todos malucos.
Gato: É verdade, eu também sou maluco…Completamente maluco.
Alice: Eu não.
Gato: Claro que és. Se não fosses maluca não estavas aqui.
***
..




quinta-feira, 12 de julho de 2007

Mendigos


Ninguém sabe quem são, o que fazem por aí, da onde vem ou para onde vão. Quase todos têm medo deles, nojo. Alguns têm pena e outros ódio deles. Mas no fundo, todos os que no seu dia-a-dia passam por vários deles, não dão a mínima. Um tanto desumano não pensar neles... Não imaginar que um dia talvez eles já foram como nós: Voltavam do trabalho tarde, chegando á sua casa alugada, sua mulher já deitada e cansada sem querer saber de você, que trabalhou muito por pouco. Com o tempo a família vai se afastando, cada qual no seu canto a pensar por si só. O grande marido já não agrada mais a mulher. O grande pai já não é mais o idolatrado. Sem ninguém, inevitável que o bar se torne freqüente ao pobre homem. Dívidas, se entristece por estar perdendo tudo de uma vez. Bebe. Chega tarde em casa, perde o emprego no dia seguinte, fica triste. Bebe...
Alguns viram mendigos porque querem. Simplesmente não agüentam mais o mundo do jeito que está, mas não tem poder o suficiente para mudar. Tiveram algum fracasso e desistiram de tudo. Entregaram-se livre e corajosamente ao mundo como ele é.
Porque também não pensar naqueles que vieram de longe para cá, procurando alguma luz na sua vida e perderam mais do que tudo, sem poder nem ao menos voltar? São como os índios que um dia foram donos de seu próprio lugar. Donos de tudo. Também tinham família. Hoje tem que muito procurar sementes, devido ao pouco numero de árvores, para fazer alguns colares, vendendo o que der para que seus pequenos possam comer. De noite ao dormir ainda podem acabar sendo queimados vivos por algum idiota preconceituoso, algum riquinho que o pai tanto deu de tudo na vida. O que estava errado com o perfeito menino então? Simples: Assim como aqueles que viraram ou são mendigos, este filhinho de papai não tem afeto. Não tem ninguém. Fazem de tudo para chamar atenção. Para ter seus pais á abraça-lo dizendo “Nós te amamos filhão!”. Mas este menino tem tudo ao seu alcance. È só pedir.
Pobres mendigos, querendo ou não ser um: á noite, ao deitarem-se ao luar, pedem ás estrelas um carinho, alguém. Pedem para voltar a ter algo, pedem para serem felizes, pedem para ter alguém para amar. Pedem para ter novamente aquela amada mãe que o levaria para a cama dando um “boa noite”, pedem para ter um abraço. Simples abraço de forte efeito. Simples ato que nenhum deles recebe á anos. Simples ato humano que poderia mudar um dia e fazer toda a diferença.
Mas no fundo, talvez, quem é desumano não são as pessoas. São os próprios mendigos, que de tanto sofrer e ficarem entregues á mais pura realidade, se esqueceram de como serem humanos. Simplesmente vivem em um outro mundo, em meio a bebidas, becos e cantalorías, como se neste mundo tudo fosse perfeito como eles sempre sonharam. Para eles não seria ruim ser mendigo. Seria talvez o seu próprio Nirvana de um espírito completamente, livre pelas selvas de pedra do mundo. Sem ligar para nada, nada é material em suas mãos, pois nada podem ter, mas tudo é mais do que real, pois suas mentes vão mais além do que o esperado por alguém de simples imaginação.

Camilla Di Lucca